
Os resultados provisórios dos Censos 2011, divulgados a 7 de dezembro, vieram rever em alta a população de Nisa, que “ganhou” cem habitantes relativamente aos resultados dados a conhecer em julho. As boas notícias ficam-se no entanto por aqui, já que os documentos revelam também que, no concelho, por cada cem jovens há 402 idosos e que mais de metade da população (58%) não tem instrução ou só completou o 1.º ciclo do Ensino Básico.
Divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 7 de dezembro, os resultados provisórios vêm completar e atualizar os resultados preliminares avançados em julho e referentes ao momento censitário de 21 de março de 2011.
No que respeita ao concelho de Nisa, os dados agora lançados reveem em alta a população residente, que passou de 7350 a 7450, ou seja, verificou-se um aumento de cem habitantes. Assim, enquanto algumas freguesias perderam habitantes relativamente aos primeiros resultados divulgados, outras ganharam população.
O caso mais notório é o da freguesia de Tolosa, que passou de 904 residentes para 1011. Este aumento de 107 residentes é particularmente importante para Tolosa já que pode ser o suficiente para evitar a extinção da Junta de Freguesia, proposta no Livro Verde da Reforma da Administração Local. Em causa está o facto desta freguesia ser considerada Área Maioritariamente Urbana pelo que, segundo os critérios definidos naquela proposta de reforma, teria de ter um mínimo de mil habitantes para se manter como sede de Freguesia, objetivo que é cumprido com esta atualização dos resultados dos Censos.
Para além de Tolosa, também em Amieira do Tejo os números foram corrigidos, ganhando nove habitantes, bem como a freguesia de Nossa Sr.ª da Graça, S. Matias e S. Simão, que passam a ter, respetivamente, mais um, 17 e três habitantes. Noutras freguesias os valores foram corrigidos em baixa, como é o caso de Alpalhão que perde quatro residentes, do Espírito Santo que tem menos 25 e de Montalvão com menos oito.
Esta revisão da população residente faz também diminuir ligeiramente a variação entre os resultados dos Censos de 2001 e 2011, ou seja, na última década o concelho de Nisa perdeu 13,2% da população residente, em vez dos 14,4% avançados em julho.
POR CADA CEM JOVENS HÁ 402 IDOSOS NO CONCELHO
Os resultados provisórios dos Censos 2011 põem também em destaque o acentuado envelhecimento da população do concelho de Nisa, quer pelo aumento da população idosa, quer pela redução da população jovem. Assim, se o grupo etário mais jovem (0-14 anos) representa 9,5% da população residente no concelho, os idosos (com 65 anos ou mais) são 38,1%. Já os jovens entre os 15 e os 24 anos representam 7,1% e à faixa etária entre os 25 e os 64 corresponde uma percentagem de 45,4% da população residente.
A questão do envelhecimento populacional torna-se no entanto mais evidente quando se olha para o índice de envelhecimento da população, ou seja, a relação entre a população jovem (0-14 anos) e a população idosa. Se a nível nacional este índice se situa nos 129, o que significa que por cada cem jovens há hoje 129 idosos, no caso do concelho de Nisa por cada cem jovens há 402 idosos. Este é um valor muito alto, mesmo quando comparado com todo o Alentejo, que embora seja a região do país que apresenta o valor mais elevado, tem um índice de envelhecimento de “apenas” 179.
Também alarmante é o índice de dependência total, isto é, a relação entre a população jovem e idosa e a população ativa, que em Portugal se situa nos 52 e significa que por cada cem pessoas em idade ativa existem 52 dependentes. No caso de Nisa esse índice é de 90,5, pelo que por cada cem nisenses em idade ativa há 90,5 dependentes, valor que mais uma vez ultrapassa o índice de dependência total registado na região do Alentejo (61).
MAIS DE METADE DA POPULAÇÃO NÃO TEM INSTRUÇÃO OU SÓ COMPLETOU O 1.º CICLO
Embora os dados provisórios dos Censos 2011 indiquem que, na última década, o nível de instrução da população portuguesa “progrediu de forma muito expressiva”, no concelho de Nisa mais de metade da população não tem instrução ou só completou o 1.º ciclo do Ensino Básico, ou seja, a antiga 4.ª classe, ao passo que apenas 6% da população completou o Ensino Superior.
O maior grupo da população (33%) concluiu o 1.º ciclo, enquanto 25% dos residentes no concelho afirmaram não possuir nenhum nível de instrução, perfazendo juntos 58% da população. Relativamente aos restantes níveis de escolaridade, 11% dos indivíduos completaram o 2.º ciclo do Ensino Básico, 14% o 3.º ciclo, 10% o Ensino Secundário e uma pequena margem de 1% fez formação pós-secundário.
Estes valores ficam aquém dos registados na totalidade do Alto Alentejo - onde 52% dos residentes não têm instrução ou completaram apenas o 1.º ciclo e 9% concluíram o ensino superior -, bem como do resto do país, onde 19% da população não tem instrução; 25% concluiu o 1.º ciclo; 13% e 16% terminaram, respetivamente, o 2.º e 3.º ciclo; 13% completaram o Ensino Secundário e 12% concluiu o Ensino Superior.
Ainda assim, os Censos 2011 revelam que na última década se verificou um recuo da população com níveis de instrução mais baixos e progressos nos níveis de qualificação correspondentes ao 3.º ciclo do Básico e Ensino Secundário, ao passo que a população com Ensino Superior aumentou em todos os municípios e que quase duplicou a nível nacional, pois se em 2001 havia 647 094 licenciados, em 2011 eles representam 1 262 449 de pessoas.
ESTADO CIVIL: CASADOS SÃO O MAIOR GRUPO DA POPULAÇÃO
Em 2011, no concelho de Nisa, à semelhança do que se passa a nível nacional, o maior grupo da população (53,8%) é constituído por indivíduos casados, seguindo-se os solteiros, que representam 28,6% dos residentes. Os divorciados estão em minoria, constituindo apenas 3%, enquanto o grupo dos viúvos representam 14,46%, sendo que destes apenas cerca um quinto são homens (224 homens e 854 mulheres).
Entre 2001 e 2011 o número de famílias clássicas em Portugal aumentou 10,8%, no entanto as famílias hoje são menos numerosas, sendo a sua dimensão média de 2,6.
Em Nisa, 35% das famílias são constituídas por apenas dois elementos e o número de famílias compostas por um único elemento (24%) é mesmo superior às famílias constituídas por três pessoas (22%). Já as famílias de quatro elementos representam 14% do total da população e as de cinco elementos uns escassos 5%, o que vai de encontro ao que se passa no resto do país, onde as famílias de maior dimensão têm vindo a perder expressão nas últimas décadas.
NISA: POPULAÇÃO RESIDENTE , SEGUNDO GRUPOS ETÁRIOS E SEXO 
NISA: POPULAÇÃO RESIDENTE SEGUNDO O NÍVEL
DE INSTRUÇÃO MAIS ELEVADO COMPLETO
[Publicado na edição de 27 de janeiro de 2012 do Jornal de Nisa (n.º 33, II Série)]











