
Nesta edição as palavras-chave são: Cultura e Tradição. Um pouco por todo o concelho cumpriram-se as tradições aliadas à época dos Santos Populares. Em Nisa houve teatro, música, encontros com escritores credenciados e a já tradicional Feira do Livro, que é mesmo a “mais antiga do Alentejo, com edições ininterruptas”.
Cumprir tradições mantém viva a cultura de um povo, assim como este se elevará entre os demais se a cultura for como água na sua vida – imprescindível!
Há quem diga que o saber não traz felicidade… Quantas vezes não preferimos ficar na ignorância para evitarmos desilusões! Outros afirmam que o saber não ocupa lugar, pois será ilimitado em cada um de nós, assim tenhamos oportunidade de o adquirir. As duas vertentes fazem algum sentido. Escolha. Assuma um compromisso consigo próprio – nada de promessas, pois a “tradição já não é o que era” e já nem os políticos as fazem, “assumem compromissos” – e deixe de procurar a fórmula da felicidade, busque antes um caminho que lhe vá proporcionando momentos de felicidade enquanto o percorre.
Falando em cultura, escolhas e caminhos, apeteceu-me partilhar aqui alguns versos (aqueles que subscrevo com maior veemência) do poema de José Régio, Cântico Negro…
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
(…)
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos... (…)
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
Ana Aldeia - Directora











