
E tanto que andávamos a precisar de nos alegrar que até quase nos esquecemos do cenário de crise que envolve o nosso país.
Além disso, com os nossos emigrantes por cá, vindos de países onde a crise também predomina, o melhor mesmo é sorrirmos, dançarmos e convivermos, atenuando saudades de familiares e amigos, dissipando as nuvens cinzentas que pairam nas finanças, na saúde, na educação, no emprego… mas voltemos à festa e ao título deste texto que partilho convosco.
Numa conversa menos optimista do que o ambiente festivo do mês de Julho, com uma boa amiga, eis que surgiu este tão pouco usado vocábulo, mas que achei tão adequado a estes tempos – Resiliência!
A origem da expressão vem da Física, para designar a capacidade que um corpo tem de, depois de sujeito a determinada pressão ou choque, conseguir regressar a sua forma original. Isto de uma forma muito simplificada, claro.
A analogia entre a ciência e a realidade em que sobrevivemos parece-me óbvia e perfeita – tenhamos nós resiliência para conseguir ultrapassar estes tempos de crise que, ninguém se iluda, todos a irão sentir… E, paralelamente e no extremo oposto, teremos com certeza resistência para aproveitar todas as comemorações, com petiscos bem regados, noites “pouco dormidas” e a animação musical a ritmar o balanço do corpo, mas também resiliência para voltarmos aos dias ditos normais, para o corpo recuperar dos excessos das férias, das festas, da folia…
Esta palavra latina, significa “ressaltar”, tendo sido adoptada pelas ciências sociais, especificamente pela Psicologia, para designar as pessoas que possuem a capacidade de resistir, ultrapassar, superar e recuperar de adversidades (sejam os excessos das festas ou as pressões da crise, digo eu).
Não sendo inata, a resiliência deve ser fomentada logo na infância, através de uma “orientação social positiva, auto-estima elevada, coesão familiar, presença continuada de adultos significantes e rede social de apoio bem definida e actuante”, o que se traduzirá, de acordo com estudos da psicologia, em adultos mais sociáveis, mais inteligentes, com competências de comunicação e de controlo interno que, entre outras capacidades, lhes proporcionarão resiliência.
Resiliência carrega um sentido optimista, que evidenciará que se conseguimos vencer um obstáculo evoluímos positivamente.
Enfim! Divagações à parte, que esta capacidade não falte, a cada um de nós, ao nosso concelho e ao país.
Até Agosto!
Ana Aldeia - Directora











