Jornal de Nisa

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Tempo de aprender

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"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos". A afirmação tem cerca de 500 anos, é da autoria de William Shakespeare e não podia ser mais adequada aos tempos que vivemos!

Esta alusão ao dramaturgo, poeta, actor e compositor inglês - provavelmente o mais conhecido e reconhecido em todo o mundo e por todos os públicos, a propósito de Romeu e Julieta, peça que foi levada à cena em Nisa – derivou da referência Especial que fazemos nesta edição ao Cine-Teatro de Nisa, contando um pouco da história do equipamento indissociável da história da cultura no concelho.

Nesta época, em que a melancolia emerge na mesma quantidade das folhas caducas que forram o chão, o sentimento que predomina é a angústia do início de uma nova fase.

Recomeçar ou começar a estudar, a trabalhar, após o período de férias, deveria revestir-se do entusiasmo e alegria que seria a aprendizagem e o conhecimento, assim como a realização de projectos novos, mesmo nos que parecem mais monótonos ou redutores, esta é uma fase em que as únicas a quem seria permitido o cansaço seriam as folhas que estiveram viçosas ao longo do verão e que agora precisam de ser renovadas.

Renovação, reformas, transformações… palavras sinónimas entre si, enfatizadas de acordo com os contextos, seriam naturalmente aceites por qualquer pessoa… o Outono é assim, foi sempre assim!

A diferença hoje é que já duvidamos que volte a haver Verão!

No concelho, e aqui relatado, o clima é de indefinição generalizada quanto ao futuro… Ninguém poderá adivinhá-lo, mas há um mínimo que podemos antever e hoje, o Verão, como as boas notícias, não estão “à vista”…

Austeridade é a palavra que, sorrateiramente, tem tomado conta das nossas vidas e será ela a grande culpada deste sentimento global de que estamos no fim e não num novo início.

Palavra pomposa e sonante, é verdade! Mas é a frieza que o seu significado acarreta que nos gela mesmo antes da chegada da estação mais fria. Mas, por outro lado – o positivo que tento sempre procurar em tudo – austeridade também significa rigor… Ora, pensem comigo, se houvesse uma gestão rigorosa dos governos (europeus, nacionais, autárquicos e até domésticos) seria aquela palavra revestida de tamanha carga negativa?... Como o genial escritor britânico sugere, o melhor é aprendermos a valorizar mais o pouco que temos e queixarmo-nos menos do pouco que nos falta. Talvez assim consigamos aquecer um pouco este ambiente austero, agindo conjuntamente na procura de caminhos que nos conduzam a um Verão ameno, a um futuro mais sereno… tão previsível quanto surpreendente e revelador!

Até Outubro!

Ana Aldeia
[Publicado na edição de 30 de Setembro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 29, II Série)]

 

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