
Num outro ano, enviar votos de “Feliz Natal” seria, por esta altura, perfeitamente natural. Contudo, parece-me que desta vez será melhor usar a expressão Boas Festas! Diz-se que é nas situações mais macabras que surge o melhor humor, talvez por isso ouça frequentemente dizer que “este ano não há Natal”. Consta também que os portugueses são bons anfitriões, pessoas generosas por natureza, mas também muito (demasiadamente, digo eu) resignados, ainda que com uma enorme capacidade de desenrascar e relativizar em situações extremas.
Muitas vezes cimentamos os nossos comportamentos em argumentos do tipo “não posso resolver nada” ou “não me compete” ou ainda “não tenho culpa”! Pois é, de facto, e despindo-nos de quaisquer pretensas ilusões, há coisas nesta vida que não podemos mudar, mas nas restantes situações, o que acontece é que não sabemos como mudar, simplesmente sabemos ou sentimos o que não queremos… Porque para mudarmos alguma coisa, não basta dizer que está errada, é preciso encontrar soluções para a mudar, obviamente, para melhor!
Neste momento em que o concelho, o país e, por conseguinte, o dia-a-dia de todos nós parece estar em suspenso, a minha mensagem deste mês resume-se a desejar a todos os nisenses, seus familiares e, muito especialmente, aos nossos leitores, um período de mudança para melhor, recorrendo àquelas tão especiais características, com votos de que prevaleça como grande prioridade na vida de cada um de nós, neste final de ano, nesta época em que a solidariedade vem à tona – sejam generosos!
Quero dizer, generosos de sentimentos, pois não é o presente, o seu preço, nem o tamanho da sua caixa, que transmitem a generosidade de cada um… a generosidade de carácter é a melhor balança para definirmos as nossas prioridades.
Sören Kiekergaard, um filósofo dinamarquês que viveu na primeira metade do século XIX, escreveu um dia que “a vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para a frente”. Reproduzo-a aqui com aquela senda de optimismo que (mesmo perante toda a conjuntura) devemos manter, porque desistir não é solução.
Assim, a grande prioridade da vida deveria ser o amor, sendo que ele é o melhor “motorista” da vida. Já Charles Chaplin dizia que “a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.
Até Dezembro!
[Publicado na edição de 25 de Novembro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 31, II Série)]











