
"Caminhar com bom tempo, numa terra bonita, sem pressa, e ter por fim da caminhada um objectivo agradável: eis, de todas as maneiras de viver, aquela que mais me agrada"… palavras do escritor francês, que viveu no século XVIII, Jean Jacques Rousseau, que parecem ter sido escrita por e para mim quando escolhi Nisa (já há 10 anos) para viver.
Sem arrependimentos, mas numa perspectiva mais emocional, muitas vezes questiono: o que faço eu aqui? Haverá alguém que nunca se tenha questionado? Eu já o fiz inúmeras vezes! E também “de onde venho?”, “para onde vou?” são perguntas que surgem quando o pensamento procura respostas filosóficas ou mesmo teológicas para as injustiças da vida.
Só que as respostas aos porquês e para quês que por vezes podiam amenizar tantas angústias, nem sempre surgem e nós vamos vivendo uma espécie de vida, onde nos limitamos a cumprir aquilo que esperam de nós, e que, mesmo quando não queremos, nos retira a força para contrariar uma resignação individual que contagia o coletivo.
Imagine que existia um mapa – ao nível daqueles que usam os melhores orientistas do mundo, que estagiaram este mês em Alpalhão -, que nos dava todas as indicações de montes, barreiras, obstáculos, mas também dos melhores caminhos, das pontes, das estradas… das melhores paisagens… enfim … um Mapa da Vida! Que bom seria!
Não estou a falar de futurologia, nem de facilitismos – que seria a vida sem os seus desafios? … apenas uma ténue existência! –, mas sim de uma espécie de roteiro que nos ajudasse, que nos orientasse, ou pelo menos que nos permitisse avaliar de uma forma mais efectiva e eficaz os diversos caminhos que podemos percorrer para chegarmos ao nosso destino, ou ao destino que escolhermos.
E independentemente de estudos dizerem que somos velhos (uma das conclusões dos censos 2011 para o concelho de Nisa), este mês provámos que os nossos jovens continuam empenhados em manter as festas ancestrais como o Mártir Santo e as Janeiras solidárias em Alpalhão.
“Há 500 anos… Os forais e os antigos concelhos da área geográfica do actual Concelho de Nisa” é o novo espaço que em 2012 encontrará em cada edição do Jornal de Nisa. Um espaço diferente, que surge a propósito dos 500 anos dos “nossos” Forais, mas onde o leitor encontrará muito mais sobre as origens e as “estradas da vida do concelho” que o conduziram ao presente. No final, se o leitor colecionar todas as pequenas “páginas” ficará com um livrinho que será um documento histórico… sobre a nossa história!
Porque, afinal, não haveria presente sem passado, nem futuro sem presente…
Até Fevereiro!
[Publicado na edição de 27 de janeiro de 2012 do Jornal de Nisa (n.º 33, II Série)]











