
Nasceu em Chão da Velha há 75 anos. Durante alguns anos viveu em Albarrol e na Amieira do Tejo; agora, passa grande parte do seu tempo no “Monte Queimado” em Montalvão.
Foi o pai que lhe despertou o gosto pelo trabalho da cortiça. O pai esculpia algumas peças utilitárias e para decoração e apesar de ter ensinado aos seis filhos (três rapazes e três raparigas), só Manuel lhe seguiu os passos.
Nunca fez desta arte profissão, pois entendia que tal não lhe permitiria sobreviver, até porque não considerava ser verdadeiramente bom. Trabalhou toda a vida na agricultura e na criação de gado. Nas (poucas) horas vagas usava o seu canivete e esculpia peças de cortiça, primeiro miniaturas e depois diversos utensílios.
Em 1980 a sua arte era conhecida e Manuel Cardoso tornou-se “embaixador” digno de representar o concelho de Nisa na arte da cortiça, nos certames que se realizavam por todo o país. Nessa época, frequentou feiras de artesanato, de norte a sul a mostrar os seus trabalhos. Hoje, já só aceita os convites para as feiras do concelho já que a sua saúde assim o aconselha.
Não tem sucessores na arte. Outrora, jovens aprendizes entusiasmados queriam aprender, mas ao cortarem os deditos nas primeiras aprendizagens, logo desistiam.
Manuel Cardoso diz-nos que a sua arte não tem segredos. A cortiça tem de estar uns dias na água para ficar flexível, de seguida molda-se, deixa-se secar e está pronta a ser trabalhada. Em cada peça, todos os elementos são feitos por si: os pregos feitos de madeira rija de esteva e os acessórios feitos de madeira fácil de entalhar como o salgueiro.
Enquanto afia o seu canivete numa pedra da calçada, afirma que a melhor técnica que se pode utilizar é a calma e a paciência, aliás bem patente em cada um dos trabalhos minuciosos que realiza e numa verdadeira analogia com o sentido que alguém, como Manuel, atribui à vida.
Gisela de Sá











