Jornal de Nisa

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Comunicamos, logo existimos! (parte II)

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Na sequência do artigo anterior, acerca da comunicação no seio do casal, é ainda importante referir a existência de vários padrões disfuncionais de comunicação. Estes são:

“À procura do culpado” - este padrão consiste numa forma de reciprocidade negativa na qual cada esposo culpa o outro pelos problemas no casamento.

Queixas cruzadas - padrão relacionado com o anterior, uma vez que os cônjuges se criticam mutuamente e não fazem um esforço para perceber os desejos e preocupações um do outro; aqui a descrição do problema para um cônjuge leva a uma resposta negativa do parceiro (semelhante à escalada de problemas).

Debater a verdade - cada cônjuge defende a validade dos seus pontos de vista, não considerando a posição do outro; se um cônjuge está insatisfeito e propõe uma solução para os problemas, o outro sugere uma definição diferente, de forma rígida, não se chegando a um compromisso e promovendo uma situação de impasse.

“Sim…mas…” - quando um cônjuge tem um problema e pede apoio ao outro e este dispõe-se a ajudar com uma solução, o primeiro rejeita-a, respondendo “Sim…mas…”.

Interrupções  - surgem quando a pessoa que interrompe estava mais centrada nos seus pensamentos do que em ouvir o outro (a investigação não mostra de forma consistente que sejam os casais insatisfeitos a interromper-se mutuamente mais vezes do que os casais satisfeitos; além disso, algumas interrupções são construtivas, por exemplo pedir clarificação acerca das opiniões do parceiro).

Não escuta - Segundo este padrão, os intervenientes da relação conjugal não se ouvem mutuamente.

Leitura do Pensamento - Este fenómeno surge quando um dos elementos do casal se acha perfeitamente capaz de e com a obrigação de adivinhar os sentimentos e preferências do outro. Isto pode conduzir a uma incapacidade para se escutar o outro, para estar atento, crendo que a sua realidade é, de facto, a do outro (Relvas, 1957).

Agenda Secreta - Consiste no envio de mensagens indirectas nas quais estão disfarçados pensamentos, necessidades ou pensamentos que os cônjuges não foram capazes de dizer explicitamente.

Generalizações - É a utilização de termos como “sempre”, “nunca”, “todos”, etc., pouco concretos e difíceis de validar.

Mudanças de tema - Consiste na mudança sistemática de tema numa conversa.

Expansão do Problema - Este fenómeno constitui um alargamento das queixas expressas por um dos cônjuges quando se começa a discutir um único problema concreto.

Queixa – evitamento - Segundo este padrão, após a queixa de um dos parceiros, segue-se um comportamento de evitamento do outro.

No entanto, além destes vieses na comunicação surgem ainda padrões de comunicação que constituem um padrão de cascata para a ruptura, em que atitudes negativas de um dos cônjuges levam a atitudes mais negativas por parte do outro e assim sucessivamente – “Os quatro cavaleiros do Apocalipse”. A crítica global (relativa à pessoa e não ao problema em si) potencia o menosprezo (ironia e sarcasmo para criticar o outro). Estes dois “cavaleiros” constituem um ataque à auto-estima do parceiro, levando-o a adoptar uma atitude defensiva (recusa em assumir a responsabilidade – “posição de vítima”) que camufla um ataque ao cônjuge, p.e., “nunca me compreendes”. Nesta expressão há uma censura mais ou menos implícita, por isso, é já um ataque. A conjugação destes factores leva, em última instância, ao abandono da interacção por parte do receptor estabelecendo-se o muro do silêncio.

Estes quatro factores vão criar um vazio emocional designado “afogamento”.

Por outro lado, uma comunicação construtiva entre o casal é possível quando há uma compreensão empática de ambas as partes; quando são reconhecidas e validadas as posições do cônjuge; quando os pensamentos e emoções deste são compreendidos e não submetidos a uma avaliação; quando as questões promovem a obtenção de informação (questões abertas); quando se fornece feedback positivo; quando o emissor formula as frases utilizando a 1ª pessoa – Eu –, em vez da 2ª pessoa do singular – Tu – (estas tendem a ser acusatórias e a promover respostas defensivas da parte deste).

Vânia Cunha
Psicóloga

 

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