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Inconvenientes da imobilidade - Perspectiva geral

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A capacidade funcional do nosso organismo (órgãos e sistemas) baseia-se no movimento.

Todas as células do organismo sofrem lesões quando privadas de oxigénio, nutrientes essenciais e de estimulação à actividade. Situações de paralesias, traumatismos ou perda da mobilidade muscular ou articular são facilmente identificadas como factores imobilizantes, no entanto eles representam apenas um tipo de imobilização.

A imobilidade é um conceito que pode aplicar-se numa grande variedade de situações patológicas, tendo no entanto uma maior utilidade se não for visto num sentido tão limitado.

Consideramos a Imobilidade, como a restrição, prescrita ou inevitável, de “movimento” em qualquer aspecto da vida do doente; trata-se portanto de restrições de mobilidade, prescritas ou inevitáveis e não de reduções transitórias de mobilidade que ocorrem em indivíduos normalmente saudáveis, como por ex: o repouso após um dia de trabalho.

Refira-se ainda que a imobilidade pode ocorrer em qualquer das áreas ou aspectos da vida do indivíduo – física, emocional, intelectual e social.

Iremos no entanto, neste artigo, incidir a nossa reflexão apenas na imobilidade física.

Devido a uma imobilidade prolongada, os diferentes órgãos e sistemas do nosso corpo tendem a ter um funcionamento irregular, pelo que seguidamente iremos apresentar de forma sucinta as consequências e efeitos desta imobilidade, não esquecendo que o Homem é um todo e não a soma dos sistemas.

SISTEMA PULMONAR

A acção muscular do diafragma, a flexibilidade da caixa torácica, a elasticidade dos pulmões e o diâmetro das vias aéreas são necessários para que a inspiração e a expiração se realizem sem esforço. Qualquer interferência nestes mecanismos irá originar perturbações na relação ventilação/perfusão.

Principais Problemas:

• Movimentos respiratórios menos amplos

• Estase de secreções

• Alterações do equilíbrio O2/CO2

SISTEMA MUSCULO-ESQUELÉTICO

A função motora é um processo complexo, com coordenação dos músculos, ossos, pele e sentidos com controlo do sistema nervoso central.

A inactividade muscular perde permanentemente tónus, volume e força e as propriedades dos músculos vão perdendo as suas características próprias.

Principais Problemas:

• Atrofias musculares

• Contracturas e encurtamentos dos membros

• Osteoporose

• Anquilosamentos

SISTEMA CARDIOVASCULAR

Estudos indicam que o coração exerce um maior esforço quando o indivíduo está deitado, do que quando está sentado, devido à alteração na distribuição do sangue pelo organismo.

Principais problemas:

• Sobrecarga cardíaca

• Formação de coágulos

• Hipotensão ortostática

SISTEMA RENO-VESICAL

Os efeitos da permanência prolongada na cama ao nível do sistema reno-vesical estão relacionados com alterações metabólicas que obrigam os rins a excretar maior quantidade de cálcio e outros minerais, que contribuem para a formação de cálculos renais

Principais problemas:

• Cálculos renais

• Infecções urinárias

SISTEMA GASTRO-INTESTINAL

É função principal deste sistema a conversão dos nutrientes ingeridos em formas mais simples para poderem ser transportados para a circulação sistémica.

A malnutrição pode ser provocada pela privação prolongada de alimentos, pela inadequada ingestão de alimentos, falta de exercício físico e ainda de certos medicamentos, para além do aporte de nutrientes recebidos.

Principais problemas:

• Obstipação

• Formação de fecalomas

SISTEMA CUTÂNEO E TECIDOS SUBJACENTES

O indivíduo activo, normal, com funções motora e sensorial em bom estado, mudará a sua posição em intervalos frequentes durante as horas de sono.

A pessoa doente que está com deficit sensorial, não se movimentará automaticamente, porque os estímulos de desconforto que provocam a mudança automática de posição não são sentidos.

A pressão prolongada sobre a superfície da cama, causando alterações nos impulsos nervosos, causando diminuição do afluxo sanguíneo, hipoxia ou isquémia.

Principal problema:

• Úlcera de pressão ou escara

De forma conclusiva, afirmamos claramente que a intervenção de um plano de cuidados individualizado pressupõe uma acção conjunta e personalizada à pessoa doente.

Este plano de trabalho deve no geral ser integral e integrado ao nível multidisciplinar de cuidados.

Importa ainda salientar que estes sistemas são interdependentes e todos eles estão envolvidos nas complexas interacções que permitem atingir a recuperação e conservação da homeostase, só que por questões académicas foram trados isoladamente.

Parreira Dinis
Enf.º Chefe
[Publicado na edição de 30 de Dezembro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 32, II Série)]

 

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