
Sou muito céptico no que toca a filmes, em que se exploram realidades paralelas nas quais se altera apenas um elemento do jogo… As dúvidas que esses filmes levantam raramente são respondidas e o meu ligeiro entusiasmo esfuma-se em segundos!
É no cruzamento entre um filme deste tipo, os quais se rotulam de ficção científica, e a minha última interrogação que nasce a coluna deste mês. Já se interrogou sobre os limites da evolução? Até onde podemos ir?
O filme “Sem Limites”, do realizador Neil Burger, nasce desta mesma questão. Até onde será capaz de chegar um homem, cujo cérebro se encontra “desbloqueado” por uma droga ilícita? E eis que Eddie Morra, escritor fracassado, entra em acção. Pois, quando a sua vida parece encaminhar-se para o inescapável abismo os seus limites são estendidos!
Com a ajuda de um comprimido transparente, o NZT, o cérebro de Morra abre-se a uma nova panóplia de sensações e passa a funcionar em pleno. E neste preciso instante começou o meu desencantamento pelo filme! Pare se apreciar a película há que ignorar o erro científico grosseiro, de que usamos apenas 10% do nosso cérebro. António Damásio e uma panóplia de outros cientistas desmentiram este mito e parece-me ilógico perpetuá-lo.
Mas continuemos… Morra, com ajuda do NZT, salta da sua paixão pela escrita (nunca se chega a perceber se o seu livro se popularizou, ou se foi um fiasco!) para o mercado bolsista, arquitectando um plano para “fazer impacto”. No meio vai percebendo que o NZT não lhe expandiu a vida, mas tomou antes posse da mesma. E o drama instala-se…
Um filme que peca pela construção débil de toda a sua narrativa e pela incapacidade em se construir a tal realidade “alternativa”, num mundo com NZT. O filme, ao contrário de películas como “Matrix” e “Inteligência Artificial”, não se interroga, vivendo num vazio que o torna oco e incipiente. A ausência de uma moral no núcleo narrativo do filme fragiliza-o ainda mais, do que a presença dos efeitos especiais pouco vanguardistas presentes em algumas cenas.
“Sem Limites” é uma experiência aos confins do cinema sem propósito, que resulta de modo menos satisfatório do que filmes como a saga “Harry Potter” ou os “X-Men”. Nestas duas películas as funções basilares expectáveis (entreter, dar vida a personagens de livros e contar estórias já conhecidas) são cumpridas; já em “Sem Limites” pouco (do muito que poderia ser esperado!) se cumpre…











