
É impressionante o estado das coisas que se passam, sem que nós estivéssemos habituados.
Já repararam que, nos dias de hoje, muita generosidade e calor humano faltam à nossa sociedade? Nós estamos à beira da “guerra de cada um por si”…
Pobre Jesus, fizeste bem abandonares o teu túmulo, onde os homens te meteram há vinte séculos, assim és a testemunha do que nos fazem os dirigentes mundiais: guerras de todo o género, conflitos étnicos, deportações, crimes e violência. A loucura dos homens, e os seus horrores, têm residência nesta terra de ninguém.
Uma vez mais vos apelo que saibamos dar as mãos porque se não o fizermos, o fim está perto, deixando a reflexão: se não houver solidariedade, ainda se torna mais difícil, o transporte da cruz ao calvário! Por isso, sejamos bondosos e unidos e depois verão que muita coisa vai mudar. Eu prefiro ter menos amigos, mas amigos valorosos, que ter muitos que caem com a primeira rabanada de vento, porque se dizem amigos e são falsos como Judas…
A solidariedade social é, sem dúvida, a acção mais importante que os portugueses mais necessitam, em que voluntariado merece toda esta referência: bombeiros, protecção civil, associações e pessoas generosas, que estão sempre disponíveis para ajudar os mais necessitados e com boa disposição. Já viram que “o sinal mais evidente de um cancro social é o desaparecimento do sentido de humor. Nenhuma ditadura tolera o sentido de humor, leiam a história e depois verão”…
Lembro-vos o provérbio “o tempo empregue é uma serpente, que morde todo aquele que o não sabe empregar, e que acarinha quem o sabe aproveitar” (Alexandre Dumas, 1802 – 1870).
Se formos gentis, mostramos que a gentileza é uma inteligência, colaborando assim para um mundo melhor, porque “ter tempo é possuir o bem mais precioso para quem aspira avgrandes coisas”…
Os bancos alimentares não são suficientes para satisfazer todas as necessidades e apoiar os mais carenciados, ou para tapar a fome aos milhares de portugueses que vivem na miséria, situação drasticamente concebida pelo desemprego e pelas reformas liberais, em que o liberalismo transformou os trabalhadores mais pobres, com reformas de mendigos. Estas duas categorias podem contemplar estes, que cada vez são mais numerosos, que enriquecem a dormir. Se os salários do pessoal político e dos grandes patrões fossem divididos por dois ou por três, o resto seria ainda confortável para eles e os portugueses teriam uma reforma mais digna, não acham?
“A humildade, generosidade e gentileza, são algumas das virtudes, que mostram e prolongam a gratidão. É o que explica esta emoção carinhosa, das pessoas que se esforçam pelo bem dos outros, porque não se pode ter alegria sem um momento de felicidade, é por isso, que eles estão lá, para nos darem reconforto. Eles fazem história… e o que eles conseguiram é impressionante, dentro desta atmosfera difícil que atravessamos”…
Deixo-vos com esta citação: “Toda a água do mar, não chega para lavar uma mancha de sangue intelectual” (Lautrémont, 1846 – 1870).
[Publicado na edição de 26 de Agosto de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 28, II Série)]











