Jornal de Nisa

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Nisa e as suas gentes

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Na minha recente estadia em Nisa verifiquei que, apesar da crise em Portugal, não me pareceu que a nossa terra estivesse afectada com o problema, porque os companheiros habituais, frequentavam os cafés, as esplanadas entre outros locais de "lazer". Notando-se com frequência, crianças exibindo telemóveis, como se este fosse um brinquedo… não será isto “maus costumes”, ou falta de senso dos pais ou dos avós? Ou então é a vontade de gastarem o dinheiro, que amanhã lhes poderá fazer falta…

Eu não estou contra a utilização do telemóvel, pelo contrário; acho que é um objecto de bastante utilidade, quando este é utilizado como tal. No meu tempo brincávamos com "cascas de laranja ou tampinhas das cervejas"; hoje, as crianças têm tudo, incluindo o computador, e isso é bom, que este aparelho é instrutivo (em comparação aos jogos electrónicos), mas os pais têm que ser mais vigilantes com a internet, porque não é raro ver-se, adultos provocarem as crianças...

Falando-se em moda, acho também, que as raparigas ou mulheres, ganharam maus hábitos: comprarem óculos de sol e usarem-nos no cimo da cabeça, quando o sol de Verão é abrasador... enfim copia-se tudo o que se vê fazer...

Também verifiquei uma quebra importante nos artesãos, que apesar de serem já poucos, ainda por cima não têm trabalho, enquanto nas escolas, os alunos estudam e formam-se em matérias que não coincidem com o mercado do trabalho. Ora, assim não pode haver empregos para todos e o nosso país vai precisar de mão-de-obra estrangeira: carpinteiros, pedreiros, electricistas, etc. Isto não é um alerta, mas é uma necessidade!

Já repararam nos "ofícios" que desapareceram na nossa terra: alfaiates, latoeiros, ferradores, albardeiros, sapateiros entre outros. Tomando em conta que o nosso artesanato é um património excepcional, merecendo que seja salvaguardado e divulgado, apostando-se na juventude, encorajando-os logo a partir da escola primária, porque senão vamos ficar sem o "saber fazer"...

Vou falar noutro assunto que não é menos importante e que também me preocupa bastante. Já repararam que rapazes e raparigas, com idades casadoiras, continuam a viver em casa dos pais, com o noivo ou com a noiva e, como se isso não bastasse, por vezes chega também um bebé, somando mais uma boca a comer; alguns pais desabafam, afirmando que não têm hipótese de se casar. Sem casamentos, acabam-se as festas e as tradições...

Tudo isto, é a desforra do homem, sobre a nossa sociedade moderna que o isola, e o faz individualista, egoísta, surdo e cego no meio da multidão. É o modesto símbolo duma sociedade menos humana, que não gosta de respirar, rir, cantar e dançar, com um pequeno grão de folia...

Até à próxima…

LOCAL: UM MINISTRO PORTUGUÊS EM TOURAINE...

O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, visitou-nos no final do mês de Setembro. José Cesário, nomeado em Junho pelo novo governo, conhece bem o sistema, dado que ele já ocupou este posto de 2002 a 2004, e foi deputado pelos portugueses (fora da Europa).

De passagem por Nova Iorque e Washington, desejou encontrar-se com os seus compatriotas de França, em Orleans e Tours. Acompanhado por Luís de Almeida Ferraz, cônsul geral de Portugal em Paris, e de Luís Palheta, cônsul honorário em Tours.

Depois de conceder uma longa entrevista à "Rádio Antena Portuguesa", foi a Reignac-sur- Indre, visitar a empresa "Mega Pneus", que é dirigida por um português, interessando-se verdadeiramente, pela sua política inovadora em matéria de reciclagem, sublinhou Luís Palheta. Em seguida, o ministro, encontrou-se com vários presidentes de Associações, na sede do "Centro Cultural de Portugal” em Tours, afirmando que esta visita é um marco considerável e de interesse para o movimento associativo que transmite os valores e a cultura do país de origem, num país que não é o nosso...

A comunidade portuguesa, numerosa e bem integrada, promove os "échanges" de todos com Portugal, e o sucesso da linha aérea entre Tours e Porto é a prova! Agradecendo o acolhimento, deixou-nos com um abraço.

[Publicado na edição de 28 de Outubro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 30, II Série)]

 

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