
Um destes dias assisti na televisão a um espectáculo que reuniu, pela primeira vez em palco, um trio de cantores e compositores, que se cruzou no 25 de Abril de 1974 e que, no âmbito do denominado “Colectivo de Acção Popular”, propunha-se pôr a música ao serviço do Processo Revolucionário em Curso.
“Três Cantos” assim se intitulava, apresentou em trio, duo e a solo, Fausto, José Mário Branco e Sérgio Godinho em actuações fabulosas, num espectáculo magnífico no Campo Pequeno.
Por ali passaram músicas que marcaram um período e uma luta – mesmo que por vezes dissimulada – e que traçam um retrato da sociedade portuguesa, à época… curiosamente, com diversos pontos de coincidência que permanecem na nossa sociedade actual… trinta e sete anos volvidos.
Estes canta-autores evidenciaram o povo anónimo do campo e das cidades, mostrando-os como os verdadeiros protagonistas de um Portugal atrasado, ultrapassado e sem horizontes…
Cantaram o outro lado da História, o lado mais humano, da fome, dos sacrifícios, da pobreza, da exploração do homem pelo homem e da necessidade de mudança.
Olhando para aquela plateia que com eles, em perfeita sintonia, cantou, aplaudiu e ovacionou, pergunto-me: onde estão esses lutadores? Que lutas travam eles hoje?
E se estamos todos mais velhos, com mais ou menos cabelos brancos e rugas a marcarem os nosso percursos, certamente que somos hoje mais sábios, porque afinal, os anos passam mas os heróis nunca morrem…











