
Em final de ano, tempo de balanços, olho para este Portugal e pergunto-me, que país é este?
Um país com deficit de produtividade que todos os dias permite que empresas sejam encerradas e lançados os seus trabalhadores nas filas do desemprego, um país cuja taxa de natalidade é tão baixa que a breve trecho não terá gente suficiente para produzir, nem para assumir o sustento deste país de velhos em que nos tornamos, mas que raio de país é este em que os seus dirigentes expurgam cidadãos? A quem pretendem entregar o seu país?
Dizia o senhor primeiro-ministro que «há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação…querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa.»
Ora, palavras destas, são não só um insulto a todos os professores, mas aos demais portugueses, já que conseguimos antever que outros grupos profissionais lhes seguirão, se não nas palavras, pelo menos nas medidas. Mas para lá da justa indignação que estas palavras causem, o que mais releva deste discurso de Passos Coelho é todo um programa sobre a educação e a escola que avança para se tornar cada vez menos pública e mais ao sabor de políticas dirigidas a uma elite, fazendo-nos recuar a outros tempos. Mas não será só a educação… seguir-se-lhe-á a saúde…
Não me revejo nesta política do bom para nós e o mau para os outros que os nossos governantes assumem a cada dia que passa. Congelam-se os salários dos que ganham pouco e produzem e aumentam-se os dividendos dos que enriquecem à conta dos demais. Reduzem-se os dias de férias dos que trabalham e suspendem-se os trabalhos para descanso de quem legisla. Aumenta-se o IVA dos produtos alimentares e dos bens de primeira necessidade e isenta-se a banca.
Porque pedem sempre sacrifícios aos mesmos? Porque se nutrem os que já são opulentos?
É esta a forma que os senhores ministros encontraram para pôr em prática as palavras do seu líder para «lançar as sementes para voltar a criar emprego e voltar a crescer»? Quem ficará cá para erguer este país?
E já que são sábios, senhores ministros, não seriam eventualmente mais úteis se tomassem a iniciativa de espalharem as suas boas políticas e emigrassem desde já?











