Jornal de Nisa

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“Quem não quer ser lobo…”

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Assisti um destes dias a uma reunião pública de um órgão autárquico local, não pela natureza dos assuntos a serem discutidos, mas porque, os comentários que ouvia na praça pública, lentamente, foram minando a minha curiosidade. Assim, a muito custo, lá assumi que este meu interesse teria de ser satisfeito.

A surpresa foi grande. Não que não antevisse já alguns comportamentos dos “ilustres” representantes do povo, até porque os conheço há muito (andei até com alguns ao colo), mas tudo o que pudesse imaginar, ficaria muito longe da realidade, ou como diria o povo (do qual não me canso de repetir que faço parte) era «ver para crer como S. Tomé»!

Durante horas, discutiram-se assuntos importantes que estavam agendados (se não fossem necessários não teriam de ser ali discutidos, não é?) mas parecia que poucos os tinham lido e preparado; a essência das questões era deixada ao correr da discussão, para logo uma voz mais viva (e audível) que se distinguia sobre as demais, conseguisse direccionar para ataques dirigidos a este ou aquele membro. As dúvidas apareceram e avolumaram-se, foram pedidos esclarecimentos, as respostas surgiram, umas esclarecedoras, outras nem tanto…

Feito o balanço, pouco foi resolvido. Aliás, no final, o cansaço venceu mesmo os mais resistentes e já poucos assistiam a tamanha feira de vaidades pessoais…

E eu, que sou do povo e que exerço o meu direito (dever?) em todas as eleições, não me revejo nas atitudes desta gente! Vaidade, arrogância, má educação, e acima de tudo, falta de respeito por todos os que eles ali representam…

E os senhores eleitos, queixam-se, queixam-se mas…se é assim tão penosa esta vossa vida, meus senhores, cedam o lugar a quem queira trabalhar em nome e para o povo é que, “quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele”!

[Publicado na edição de 27 de janeiro de 2012 do Jornal de Nisa (n.º 33, II Série)]

 

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