Jornal de Nisa

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O vinho de Nisa

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Quem por estes dias passa pelas ruas do nosso burgo, certamente não fica indiferente ao odor que exala desta ou daquela adega. Estamos em setembro. Mês por excelência para as vindimas. Se anteriormente Nisa se povoava de ratinhos e outros tais para este labor, dando um colorido especial à nossa terra, hoje são os grupos de amigos que percorrem os campos.

Mas Nisa nem sempre teve boa fama no néctar que produz. Motta e Moura na sua Memória histórica (p. 12 – 2ª parte) relata essa mesma situação alertando para a má produção vinícola que por aqui se fazia na primeira metade do século XIX. Não havia cuidado com as castas que se cultivavam nem com a seleção dos cachos misturando-se os podres, secos e verdes com os bagos sãos. O resultado era um vinho fraco e segundo o autor, de degradação rápida pois era raro o que se conservava após o mês de março. Nos últimos tempos, se houve redução no número de vindimas que se realizavam (não nos esqueçamos que quase toda a gente tinha um bacelo) o mesmo não se pode dizer do número de vinhedos e qualidade produzida. Nos últimos anos tem vindo a aumentar o número de pés de videira, cuidado na seleção de castas que melhor se adaptam ao nosso solo e clima e cuidados químicos que começam logo na fermentação do mosto. Tudo isto se traduz no aumento da qualidade do vinho, havendo até explorações destinadas ao mercado e outra que também pelo aumento da quantidade do que produzem, o fazem durar até ao ano seguinte. Mas o método mudou. Se a colheita ainda é manual, reduziu-se o número de mulheres nos campos: são agora os amigos, conhecidos e bons braços de trabalho que são “convidados” para a vindima. Também o pisar das uvas se perdeu em quase todas as “explorações” recorrendo-se cada vez mais aos aparelhos mecânicos que em menor tempo e com maior asseio, reduzem os cachos ao “vinho”. Mas ficam os cheiros, o gosto e as memórias. Como tal, recordemos aqui vindimas de outrora, cujos personagens não conseguimos identificar na totalidade nem mesmo situá-los num tempo preciso, mas o registo é das hortas na Bruceira.

[Publicado na edição de 30 de Setembro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 29, II Série)]
(escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

 

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