Jornal de Nisa

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O "dito"

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O “seguro morreu de velho” ou “mais vale um pássaro na mão que dois a voar” são ditados populares que sempre nos habituamos a ouvir, muitas vezes sem pensarmos no porquê de tais ditos.

É difícil recuarmos no tempo até à sua origem mas todos eles nos remetem para uma noção de moralidade própria à sociedade que a aplica. É por este motivo que os provérbios, ditos ou adágios se aplicam a este ou aquele país específico e não podem por isso, ser máximas mundiais. A moral é então una em termos de noção basilar de uma qualquer cultura. É algo próprio, que funcionando como um código que não estado escrito, é incutido nos seus membros desde a mais tenra idade e é com estes valores que crescemos, agimos e avaliamos os atos de quem nos rodeia. Voltamos então sempre ao mesmo: Cultura – Sociedade – Código – Indivíduo. Noções simples mas fulcrais para a compreensão do todo que nos envolve

Nos últimos tempos e numa abrangente também nacional, faria sentido dizermos que “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.” E na nossa vila? Quais os ditados que melhor se aplicariam nos tempos que correm? Com a “onda” de assaltos a aumentar e dos quais nenhum nisense pode dizer que está livre de ser vítima, um dos ditados que certamente não podemos aplicar é o “A necessidade aguça o engenho”. Certo é que estamos em CRISE, mas já houve tempos bem piores nas nossas terras, onde muitos se devem lembrar “uma sardinha dava para três”. Não havia dinheiro, havia miséria, pobreza mas havia algo que se vem perdendo: o respeito pelos outros e pelos seus bens. Roubos sempre houve mas a maioria cingia-se ao roubar para “matar a fome” dos seus quando o dinheiro era um bem escasso no país e se trabalhava de “sol a sol” sem disso fazer fortuna.

Hoje não! A preguiça, o não ter mais nada com que se preocupar (pois se o emprego é escasso, o trabalho abunda…), o dinheiro fácil leva os amigos do alheio à cobiça disto ou daquilo que este ou aquele lá conseguiu amealhar! Muitas famílias em Nisa estão já a passar dificuldades, porque “o mês sobra ao fim do ordenado”, porque o patrão os despediu ou as despesas de saúde e educação dos filhos ou próprios, aumentaram. Mas ainda têm vergonha na cara e não se dedicam a tais práticas! Vive-se com o que se tem!

Mas se o caso se invertesse? Se por obra de mágica (…) ao chegarem a suas casas as vissem de “pernas para ao ar”? Como reagiriam ao ver o seu espaço invadido e ao constatar que os privaram disto ou daquilo? Que fariam? Pensem bem…

Um outro ditado diz” Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti” e ainda “A justiça tarda mas é certa” porque aquele dito que nos manda”dar a outra face”, “já foi chão que deu     uvas”.

(escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)
[Publicado na edição de 28 de Outubro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 30, II Série)]

 

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