
Ao longo dos anos fui ouvindo, aqui e ali, que se preparava a criação da marca “Nisa”, a qual, integrada numa estratégia de “marketing” mais vasta, possibilitaria a divulgação dos produtos tradicionais e, através destes, do próprio concelho, transmitindo uma imagem atractiva, competitiva e inovadora.
Os anos sucederam-se e nada de marca “Nisa”. Finalmente este ano, quase imperceptível (seria vergonha?), ao fundo do cartaz das actividades de animação a que se deu o nome “Há Festa na Praça”, que decorreram todos os fins-de-semana de Julho, lá estava o logótipo!
Olhei para aquilo e fiquei a pensar com os meus botões: “Zé, onde é que já viste isto?”. Enquanto esta ideia revirava no meu cérebro, fui pensando na questão gráfica da coisa, na sua força e capacidade de transmitir algo. E convenhamos: o que é que isto tem a ver com Nisa? Se exceptuarmos as letras, a sugerir o belo pedrado da nossa olaria tradicional, nicles, nada, coisa nenhuma! A menos que me venham com uma muito rebuscada explicação, coisa esotérica e filosófica que envolva, sei lá, flores de esteva ou motivos dos bordados tradicionais.
Já vi este filme antes: lembram-se do logótipo da Nisartes? O tal que, comprado por quantia choruda, era igualzinho ao de um célebre bar de alterne da capital, sendo-nos depois explicado que não senhor, não era nada plágio (ainda por cima de mau gosto), era a representação de um dos motivos dos nossos bordados.
Então, como agora, a festa não saiu barata: consultando-se a Execução Anual das Grandes Opções do Plano referentes ao ano de 2009, verifica-se que, para a execução do desenvolvimento e estratégia da marca “Nisa”, existia uma previsão orçamental total de 68.430,00€, dos quais já foram executados 43.380,00€. Ou seja: não sei que desenvolvimento e estratégia de marca ocorreram, porque só me apercebi do tal bonequito, o que me leva a concluir que apenas o dito custou aos nossos bolsos a quantia supra.
No concelho continuam a encerrar empresas, a salvação da Pátria, que seriam as Termas de Nisa, estão, pelo menos na opinião do Governo, por um fio, e a nossa Câmara, num tempo em que as vacas já andavam bastante enfezadas, desperdiçava fundos em coisitas atamancadas e de duvidosa (estou hoje generoso…) eficácia. Cá se fazem, cá se pagam. O problema é que paga sempre o santo pelo pecador.

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[Publicado na edição de 26 de Agosto de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 28, II Série)]











