
No blogue que mantenho desde 2005 e deu título a esta coluna, vou dizendo de minha justiça e malhando enquanto o ferro está quente, algo que a periodicidade do Jornal não me permite fazer. Nesse sentido, postei em 14 e 25 de Agosto dois textos que abordavam o cenário de crise que vai assolando a Ternisa.
Enquanto no primeiro me limitei a transcrever notícias que davam conta da intenção do Governo de encerrar as Empresas Municipais em falência técnica, situação em que se encontra a Ternisa, com um passivo a rondar o milhão de euros, no segundo dei voz à minha indignação e espanto pela tranquilidade e até indiferença com que os políticos com responsabilidades autárquicas e partidárias da nossa praça parecem lidar com o assunto.
Na Reunião de Câmara (RC) realizada no passado dia 21 de Setembro dirigi-me aos autarcas, voltando a insistir na necessidade de serem tomadas decisões a breve trecho, antes do mais decisões políticas, para se passar depois às decisões gestionárias, sob pena de o Governo se antecipar a qualquer iniciativa camarária e se decidir pelo encerramento puro e simples, sem apelo nem agravo, com grave prejuízo para todos os contribuintes em geral, para a economia local e, em particular, para os funcionários da Ternisa. Disse então, e reafirmo, que me parece às vezes viverem os nossos autarcas num mundo distante, muito diferente daquele em que nos encontramos, sem auscultarem os seus munícipes nem darem voz às suas preocupações.
Perante a urgência da situação, num momento em que o Presidente do Conselho de Administração está demissionário e os respectivos Vogais demonstram a intenção de também abandonar o barco (e nisto, perante a realidade dos factos, não há ironia e muito menos cinismo), o que têm feito os nossos autarcas e os líderes locais dos partidos de que fazem parte?
Desde 14 de Agosto decorreram 4 RC. Consultadas as respectivas minutas, uma vez que as actas continuam a não ser divulgadas no site do município, verificamos que o assunto não constou da Ordem de Trabalhos (OT) das RC havidas nos dia 17 de Agosto e 7 de Setembro, tendo constado das OT das reuniões havidas nos dias 29 de Agosto e 21 de Setembro um ponto intitulado “Tomada de posição sobre a Ternisa - Proposta”. Pensar-se-ia que alguma proposta efectiva, reduzida a escrito, seria apresentada, mas tal não se verificou: em ambas foi decidido por unanimidade retirar esse ponto da OT, no primeiro caso para se aguardar legislação e agendando-o de novo para a RC seguinte, quando voltou a ser retirado da OT, agora para solicitar pareceres aos serviços jurídicos do município e ao respectivo Revisor Oficial de Contas, tendo ainda sido decidido marcar uma reunião de trabalho com os líderes das bancadas da Assembleia Municipal (AM) para abordar o assunto.
Curiosamente, consultada a OT da próxima AM, a realizar no próximo dia 30 do corrente, também o senhor Presidente da dita parece estar a leste do paraíso, limitando-se a levar à Assembleia pontos de ordem que apenas dizem respeito à aprovação de decisões do executivo. A menos que tal assunto seja levado a debate por algum dos partidos aquando do Período de Antes da Ordem do Dia, teremos de novo os nossos eleitos a assobiar para o ar, parecendo fazer o que supostamente fazem as avestruzes: enterrar a cabeça na areia esperando que o perigo passe, na ilusão de que aquilo que não vêem, ou não querem ver, não lhes pode fazer mal. Ou a intenção será antes lavar as mãos como Pilatos, culpabilizando o Governo, se e quando este cortar o mal pela raiz? Já não digo nada, pois citando Shakespeare, “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a vossa vã filosofia.”
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[Publicado na edição de 30 de Setembro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 29, II Série)]











