Jornal de Nisa

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A união é a alma do negócio

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“Unir-se é um bom começo, manter a união é um progresso, e trabalhar em conjunto é a vitória.”
HENRY FORD

Poucos dias depois do terrível terramoto que abalou a Cidade do México em 19 de Setembro de 1985, uma criança é vista a caminhar descalça vendendo, de porta em porta, cartões pessoais ao preço de 25 centavos cada. O objectivo deste pequeno menino seria arrecadar o máximo de dinheiro possível para ajudar as vítimas do terramoto. Uma das pessoas que comprou alguns cartões postais   perguntou-lhe quanto é que ele estaria à espera de arrecadar com a estratégia que tinha delineado. Sem hesitar, a criança respondeu que pretendia recolher um milhão de dólares. O homem, então, sorriu e disse:  Estás à espera de conseguir um milhão de dólares para ajudar as vítimas do terramoto sozinho? - Ah não, senhor – respondeu o menino. – O meu irmão mais novo está a ajudar-me!

Segundo o jornal “Los Angeles Times”, esta é uma história verídica, e que, apesar de simples, revela algumas coisas importantes para a nossa vida: seja o que acontecer, nunca devemos deixar de, pelo menos, tentar mudar o estado das coisas e, acima de tudo, quando tentamos, nunca devemos estar sozinhos. Lá dizia o sábio ditado popular que a união faz a força e em momentos difíceis essa frase faz mais sentido do que nunca. A verdade é que, trabalhando em equipa, os momentos difíceis são mais fáceis de suportar  e, em momentos vitoriosos, a felicidade é ainda maior.

Se pensarmos nas empresas portuguesas, quantas realmente desenvolvem um trabalho em equipa capaz de sobreviver a qualquer terramoto? Todos os dirigentes apelam, verbalmente, ao desenvolvimento de um verdadeiro espírito de grupo como factor crítico de sucesso, mas quantos deles realmente sabem colocar no terreno estas palavras? Infelizmente muitíssimo poucos. Se pensarmos bem, facilmente concluimos que o contexto empresarial tem vindo a traduzir-se num verdadeiro campo de batalha onde todos, de forma individual, anseiam o poder e, quanto pior estiver o meu “colega” de trabalho, melhor para mim, porque é sinal de que eu posso ou vou estar melhor. Sempre eu, eu, eu…. Este é o melhor espírito de grupo desenvolvido na maior parte das organizações: o individualismo.

Felizmente existem pequenos microclimas onde esta realidade não faz qualquer sentido, como é o caso das associações sem fins lucrativos. Aqui, o espírito de grupo nasce de forma natural, pois todos trabalham, num ambiente saudável, em prol de um objectivo comum. Aqui deixa-se de falar de “colegas” para falar de “amigos” e com este tipo de alicerces criados sabemos à partida que podem vir terramotos, tsunamis… ou qualquer outro tipo de catástrofe inesperada que a estrutura nunca cairá. Sem hierarquias as pessoas com diferentes habilidades, talentos e experiências moldam-se umas às outras pensando sempre e, acima de tudo, trabalhando para um benefício mútuo e para o bem-estar colectivo. Analisando as associações como casos de estudo de sucesso, facillmente se conclui que… a união é, sem dúvida alguma, a alma do negócio.

[Publicado na edição de 28 de Outubro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 30, II Série)]

 

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