Jornal de Nisa

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Não à extinção de Juntas de Freguesia!

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Era uma vez um país que, há 48 anos, vivia sob o jugo de meia dúzia de senhores que tudo controlava. Era um país atrasado, triste e acabrunhado. Nesse tempo o governo segurava, firme, as rédeas de todos aqueles que desempenhavam funções políticas. E nomeava os regedores, os presidentes de junta e os presidentes de câmara. Depois, veio Abril e passámos a poder escolher livremente aqueles que iriam gerir os destinos das nossas terras. Lembro-me bem das primeiras eleições para as autarquias locais. Foi há 35 anos e nessa época todas as esperanças eram possíveis. Em São Simão (a minha Freguesia) então, como agora, a Junta de Freguesia foi eleita em Plenário de Eleitores. E foi uma população inteira, com um entusiasmo transbordante, participando na construção do seu futuro, que encheu o recinto e elegeu, pela primeira vez, os seus representantes. Quis o Povo que o seu primeiro Presidente de Junta em liberdade fosse o meu pai. Lembro-me de -ainda que a idade não me permitisse entender toda a importância do momento - ter sentido um imenso orgulho por ter sido sobre o meu pai que recaiu a confiança da maioria. Com o tempo, ao assistir às intermináveis discussões que pela noite dentro aconteciam à volta da mesa lá de casa, fui percebendo a imensa tarefa que os esperava mas, também, a enorme vontade que os animava. E aprendi que, quanto mais próximos estão dos seus concidadãos, mais facilmente os eleitos compreendem os seus problemas e são capazes de responder aos seus anseios. E aprendi a respeitar todos aqueles que dedicavam o seu tempo e esforço a tentar resolver os problemas das suas terras. Aprendi, enfim, a ter um enorme respeito pelo Poder Local Democrático. Com o passar dos anos, e com o encerramento de quase todos os serviços públicos, as Juntas de Freguesia foram sendo o ponto de apoio mais seguro de todos aqueles que resistem e permanecem nas pequenas localidades do interior abandonado. Todos sabem que os eleitos da sua Junta estão sempre ali para ajudar a resolver qualquer problema e a mover céus e terra para conseguir melhorar as condições de vida de todos os habitantes. E, no entanto, o governo, na sua sanha destruidora, resolveu, agora, extinguir umas quantas Juntas de Freguesia. Porque o país precisa de poupar e de racionalizar recursos, dizem-nos. Poupar?! Com a extinção de Juntas de Freguesia?! A quantia a poupar é tão irrelevante que este governo PSD/PP só pode estar a gozar com todos nós. Não caro, leitor, os problemas do país não se resolvem com a extinção de umas dezenas de Juntas de Freguesia. No caso do nosso Concelho a extinção das juntas de Amieira do Tejo, Arez, São Matias, São Simão, Tolosa e a aglomeração de Espírito Santo com a Senhora da Graça, apenas contribuirá para um maior desertificação das populações que, abandonadas pelo poder, acabarão elas próprias por abandonar as suas terras. Cabe-nos a nós lutar para que assim não seja. Cabe-nos lutar com todas as nossas forças e impedir que meia dúzia de iluminados destruam o que levou tantos anos a construir. Cabe-nos a nós dizer BASTA! e impedir estes energúmenos de levar por diante o plano de acabar de vez com as nossas terras.

Daqui apelamos a todos os cidadãos do Concelho: juntem-se a nós e façam ouvir o vosso protesto. Dirijam-se às vossas Juntas de Freguesia e manifestem a vossa oposição à extinção das Juntas de Freguesia. O nosso futuro e a nossa identidade estão em causa.

Esmeralda Almeida
Em representação da Comissão Política Concelhia
[Publicado na edição de 25 de Novembro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 31, II Série)]

 

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