
Hoje em dia é cada vez mais evidente o contraste entre os autarcas sem valia que são pagos a peso de oiro e aqueles cuja qualidade é impagável e que valem por isso o seu peso naquele metal. Naturalmente que não me refiro às diferentes categorias de autarquias cujo grau de importância determina as compensações atribuídas aos seus autarcas, mas sim à capacidade e desempenho demonstrados enquanto servidores públicos.
Se por um lado temos autarcas demasiado valiosos, outros, pouco mais valem que o seu peso em cêntimos. É uma realidade, que também se aplica aos governantes nacionais que se têm sucedido em mandatos infrutíferos, deixando heranças pesadas que reduzirão o valor do esforço produzido por todos durante décadas.
Se muitos não foram talhados para tal, outros não têm qualquer experiência nas actividades públicas, e outros ainda apenas se limitam a receber as dádivas do “céu político” (constava-se o caso famoso de um vereador cuja profissão anterior teria sido a de porteiro num bar da noite lisboeta). Mas são as virtudes da democracia e da política, qualquer um tem direito, independentemente do seu valor, o que conta muitas vezes é a sua proximidade com os “fazedores de reis”.
No entanto a questão com maior pertinência, directamente ligada à anterior, tem a ver com a diferença entre projectar e esbanjar na causa pública. Concomitantemente com a sua valia, há aqueles que conseguem engendrar projectos de desenvolvimento para os seus concelhos, enquanto outros apenas sabem esbanjar o erário publico, umas vezes pulverizando os recursos públicos em pequenas actividades, outras, delapidando o património em megalomanias para terem lugar assegurado na galeria da fama. É óbvio que os autarcas que projectam de uma forma integrada, que têm visão de futuro, e que lutam contra as vicissitudes do meio, muitas vezes só obtêm resultados visíveis para além do prazo dos seus mandatos.
Aliás, analisando o assunto de um outro ponto de vista, aqueles são os autarcas que valem o seu peso em oiro, e que têm de ombrear com uma administração pública cujo passado está repleto de exemplos de dirigentes incompetentes a quem raramente se pedem responsabilidades e que não passam pelo crivo das eleições. Não se compreende como é que dirigentes de empresas e serviços públicos dedicados a actividades muito específicas, muitas das vezes gerindo trabalhadores em quantidade diminuta, possam ter remunerações ridiculamente superiores aos Presidentes de Câmara e Vereadores que gerem todas as actividades de âmbito municipal directamente relacionadas com as necessidades de populações com milhares de habitantes, e com quadros de pessoal de centenas ou milhares de trabalhadores.
Parece que a “moeda municipal”, não passa de um metal pobre ao contrário da restante “moeda pública”, isto se considerarmos a experiência do passado recente ao nivelar por baixo a compensação da qualidade demonstrada por muitos autarcas por esse Pais fora.
Contudo, o actual governo ao racionalizar a máquina pública através da extinção ou reformulação das suas áreas sectoriais dá o exemplo e caminha no sentido de conseguir uma gestão mais eficaz e menos onerosa.
Com certeza que a administração local também será objecto de atenção quando chegar a sua vez nas prioridades nacionais.
Esperemos que as medidas sejam entendidas pela maioria. Ao contrário da atitude vigente que era mais Estado para todos, será sempre preferível melhor Estado para todos.











