Jornal de Nisa

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Os milagreiros das Termas

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De projecto lançado com grande pompa e circunstância (se recordarmos por exemplo a Valquiria que custou os olhos da cara do Município para se chegar à conclusão que nunca deveria ter estado naquele local por razões de saúde publica passando a ser objecto de exposição itinerante sem que se saiba quais as vantagens para o Município ou se eventualmente será mais uma fonte de despesas se voltar degradada de tantos “tombos” pelo caminho) as Termas passaram a ser o maior foco de problemas e despesas para o Município. Os autarcas da CDU que governam a Câmara Municipal de Nisa não devem querer ouvir falar em tal infra-estrutura e muito menos geri-la. Tentam por todos os meios entregar esta batata esturricada de tanto calor que lhe deram.

É a lógica de funcionamento desta força política que se diz defensora dos trabalhadores e que há dezenas de anos ilude este Concelho. Não evitou aventurar-se em projectos megalómanos mesmo que as finanças da autarquia ficassem desequilibradas, só para iludir e obter dividendos eleitorais, não hesitou hipotecar o futuro de dezenas de pessoas mesmo que soubesse à partida que não haveria condições de viabilidade económica para esta dimensão, só para iludir e obter dividendos eleitorais.

Os exemplos da gestão inconsequente da CDU no Concelho de Nisa vão perdurar na memória de todos não só pela degradação a que chegaram como também pelos custos agravados que as gerações vindouras irão pagar. Não bastava o Complexo do Fratel para nos envergonhar a todos e já espreitam as Termas como o próximo descalabro se não for possível emendar os erros. Todos os dinheiros públicos que se gastarem para resolver estes problemas não servirão para mais nada e serão sempre causas perdidas porque como diz o ditado popular “o que nasce torto tarde ou nunca se endireita”.

Mas chegamos finalmente ao fim do caminho quando assistimos aos jogos de bastidores da CDU para encontrar uma saída para “salvar” os milhões de euros investidos nas Termas, esquecendo-se as várias administrações que ficaram pelo caminho, e a tentativa desesperada para envolver as outras forças politicas concelhias para se encobrir e apagar o rasto de todas as medidas desastrosas preconizadas pela gestão CDU do Município de Nisa.

As pessoas poderão dizer que se deve ajudar mas devemos ter bem presente que apoiar não significa substituir os outros naquilo que foram mandatados para fazer. A CDU quando se candidatou, à semelhança dos outros partidos políticos, deveria ter um programa sobre o que pretendia fazer com o Concelho, ao ganhar as eleições autárquicas ganhou o direito de pôr em prática esse mesmo programa. Se não consegue ou não quer implementar esse programa deve assumir as responsabilidades e reconhecer que não está mais à altura dos compromissos que assumiu. Aceita-se que quem recebe heranças pesadas deve ter alguma tolerância mas no caso das Termas, a CDU “fez a sua própria cama” e hipotecou grande parte das aspirações do Concelho, por isso dizemos: assumam ou demitam-se.

A solução dos problemas não pode passar pela transferência frequente de verbas municipais até ao esgotamento dos cofres públicos. Então para que serviu a constituição de uma empresa chamada Ternisa?

Podemos viabilizar as Termas porque delas dependem muitos empregos mas não podemos viabilizar a CDU no Concelho de Nisa porque nos faz depender de uma política que nos afunda cada vez mais a todos.

António Franco,
Presidente da Comissão Política Concelhia
[Publicado na edição de 28 de Outubro de 2011 do Jornal de Nisa (n.º 30, II Série)]

 

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