
A Câmara e a Assembleia municipal decidiram extinguir a Ternisa.
Era incomportável para o Município, desde o princípio, manter esta empresa e toda a sua clientela política.
Foi providencial o governo do PSD ter lançado a iniciativa para moralizar a situação das empresas municipais deficitárias.
Ficou por resolver a responsabilidade política.
A Ternisa criou-se na sequência de um investimento municipal de mais de 10 milhões de euros nas Termas da Fadagosa, viveu pouco mais do que três anos mas o tempo suficiente para gerar uma divida de mais de um milhão de euros (ou mais quando tudo for revelado) e finalmente morreu solteira tal como a culpa.
A gestão municipal da CDU criou-a, endividou-a e no fim pediu a todos os representantes políticos que a extinguissem. E assim aconteceu sem mais esclarecimentos.
Admiram-se os portugueses com a situação a que o país chegou e começam a ficar fartos dos sacrifícios exigidos para cumprir as exigências da Troika que nos empresta dinheiro para fazer face ao endividamento do País resultante da má gestão dos governos anteriores. A insatisfação dos portugueses ainda se agrava mais porque, entre outros aspectos, ninguém é responsabilizado pela situação a que chegámos.
Contudo, ainda hoje se continuam a cometer os mesmos erros que nos levaram a esta situação como é o caso da Ternisa. Esta empresa municipal acabou sem grandes explicações, sem documentos elucidativos (ao contrário da sua criação) e poucos se preocupam com a responsabilidade de tal descalabro.
A CDU no Concelho de Nisa dá o pior exemplo. Enquanto a nível nacional, todos os dias, fala contra os sacrifícios e a situação do País, quando se trata da “sua própria casa” passa uma borracha e não se preocupa com os milhões de euros desbaratados que pouco podem representar para o País mas para um Concelho desta dimensão poderão significar a sua sobrevivência.
A sequência de projectos caríssimos, abandonados e sem futuro cresce, Fratel, Termas, mas os decisores políticos continuam por responsabilizar.
Se a nível local que se conhecem todos os actores políticos não acontece nada aos responsáveis, mais difícil se torna encontrá-los a nível nacional com uma máquina enorme como é a administração central.
Se cada Câmara Municipal que governar Nisa construir um Complexo como o da Albergaria do Tejo no Fratel no valor de milhões de euros e o deixar ao abandono, e uma obra como as Termas no valor de milhões de euros e a deixar sem opções de futuro, e se os restantes representantes políticos não conseguirem assegurar a sua fiscalização nem responsabilizar ninguém, com certeza que o município entrará em “falência” e não precisaremos de legislação para acabar com empresas municipais mal geridas nem com fusões de municípios para desaparecermos.
A título de curiosidade, em 2009 segundo dados da Direcção Geral das Autarquias Locais, Nisa ocupava o 39º lugar, entre os 308 Municípios que constituem o Pais, com a maior divida líquida per capita (cada pessoa do concelho “devia” 1.423 euros). Quando saírem os resultados de 2011 já teremos subido alguns lugares nesta lista dos maiores devedores.
A soma que todos os dias acontece deste “fechar de olhos” às responsabilidades, mesmo depois de todos saberem as razões em que o Pais se encontra, demonstra claramente que devemos acordar e colocar um ponto final na má utilização dos impostos, que todos pagamos, pelo governo CDU da Câmara Municipal de Nisa através da sua responsabilização política.











